ORIGEM DE "IVITURUÍ": UM ENGANO MUITO COMUM


O nome "Serro" significa serra, espinhaço.

Antes, a denominação da região e de toda a comarca era "Serro Frio" ou "Serro do Frio". O termo se originou da palavra "Ivituruí", do idioma tupi-guarani, que significa "morro dos ventos frios".

Mas, costuma acontecer um engano, em relação a esta origem.

É muito comum ouvir que "Ivituruí" era o nome dado pelos antigos moradores locais (índios botocudos) à região do Serro.

No entanto, não é bem assim.
"Ivituruí" é realmente uma denominação indígena, mas não tem origem na língua dos botocudos, que habitavam a região, e sim na língua tupi-guarani, que chegou à região trazida pelos bandeirantes paulistas.

Mas, como assim???
O que aconteceu foi o seguinte. 
A linguagem dos povos Jês (botocudos), apesar de já ser bem conhecida por estudiosos, é difícil, cheia de sons estranhos e capazes de "quebrar a língua" dos latinos. Além disto, a maior proximidade com os povos da nação Tupi-Guarani, acabou familiarizando mais os portugueses com o seu idioma. Os paulistas, povo gerado pela convivência dos portugueses com os indígenas locais, passaram a falar uma nova língua, mistura do português com o tupi-guarani. Sem escolas suficientes para ensinar o português, os neo-brasileiros acabaram se formando à luz do novo idioma, principalmente depois que os jesuítas editaram um dicionário, organizado pelo Padre Anchieta, dando à nova língua o nome de "nheengatu" ou "língua geral".

A região do Serro, o norte e nordeste de Minas, apesar de ser o reino das nações do grupo MacroJê (botocudos), acabou repleta de denominações de origem tupi-guarani, em razão da chegada dos paulistas, iniciada no século XVII. Assim, foram nascendo os nomes Ivituruí (serra dos ventos frios), Itambé (pedra aguda), Itapanhoacanga (serra da cabeça preta), Itacambira (pedra papo de tucano), Itamarandiba (pedra miúda que rola), Itinga (rio claro) e Araçuaí (rio da arara vermelha), não dados pelo indígena local, mas pelos paulistas, que chegaram desbravando o interior e descobrindo ouro, falando "nheengatu" e nomeando cada palmo de chão da nova fronteira brasileira.

Quanto aos nomes com origem nos antigos moradores botocudos, há poucos registros no norte-nordeste de Minas. No vale do Jequitinhonha, "de incontestável origem MacroJê, como eram os índios da região, só há um nome de cidade: Joaíma, nome de um cacique botocudo". Na região do Mucuri tem mais cidades com o nome originado da língua Jê: "Poté, Pokrane, Jampruca, Pampã, Maxacalis, Nanuque", como relata o escritor Luís Santiago, estudioso das coisas da região.







Ilustração: fotos e gravuras de índios Jês (apelidados pelos brancos de "botocudos", por usarem botoques nos lábios e nas orelhas).

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